28 de abril de 2008

poesia

(co-post com RG)

21 de abril de 2008

cancro artrópode

«Arranquei um piolho fémea dos cabelos da Humanidade. Viram-me ir para a cama com ele durante três noites consecutivas e, ao fim de alguns dias, milhares de monstros, formigando num só compacto de matéria, vieram à luz» Conde de Lautréamont, Os Cantos de Maldoror

- “Luzes vermelhas, peles, carne viva, cabelos, brilho, tudo negro, tudo alienígena – eu não sou deste lugar. E ando, e olho, e vejo-me na expressão dos outros, aquele que não sou eu, aquele que me surpreende por entre os espelhos, apenas mais um, em completa mistura com as gentes, em corpo, e tão distante nas fontes, para tão fora projecta o hipotálamo, as supra-renais, para tão longe a sua mente se-lhe escapa... E tão perto das gentes.
Que gentes são estas periclitando na amálgama de carne(?) em exposição, crua, fria ao toque, que gentes são estas? Estas gentes que fingem dançar um som deveras horroroso, que, com esforço, procura aproximar-se do incomensuravelmente mais belo ruído dos doces dispositivos termonucleares em ignição, da beleza interior desse terno grito de uma criança trespassada pelas lagartas de um tanque no Iraque... mas sem sucesso. Um som deveras horroroso que eles fingem dançar. E abanam-se. E saltitam sem ritmo. Uma amálgama fora de ritmo, pavoneando-se, olhando por cima do ombro da presumível cara-metade na esperança de um encontro libidinoso de olhares com um estranho... tudo resumido a não mais do que sexo, mecânico, robótico, desfazado de sentido, desprovido de valor, arrítmico com o som horroroso das larvas a despertarem dos casulos instalados na genitália destas gentes...”
E foge. E perguntam-lhe porquê. E não sabe responder. E engana-se nas portas, e esbarra em seios, e leva encontrões musculados, e suores, e vómitos!... e a saída.
E avança, a hedionda criatura, pela noite, desafiada, com chuva, encharcada, doente, atravessa os caminhos onde, antigamente, floriam malmequeres azuis. E quão mal lhe queria a chuva que, com cada safanão, lhe roubava dos olhos a água que derramava no chão.
“Que apareçam por entre as sombras que me atemorizam!, envia, criador, mais anjos para me matar!, não tenho medo, eu que avanço por entre as águas com que me encharcas e confundes o olhar! Atira-os contra mim, eu que não me pretendo matar!, lança toda a tua raiva para quem não esperavas voltar!” – o frio gélido espicaça-lhe as espinhas, o focinho desfaz-se-lhe por entre àguas verticais, e os pêlos já não o são... já não escuta, apenas o ímpeto, apenas o instinto da única atitude sensata de uma criatura louca no mundo da carne artrópode...
...assim decide morrer o monstro, como último Homem, por amor.

(mix de Nosferatu_murnau/herzog + Metastasis_xenakis)

1 de abril de 2008

manifesto anti-"presumível orientador"

(co-post com HM, MV e AN)

14 de março de 2008

métró-pólis

"...the horror!... the horror!!"

5 de março de 2008

som da opressão




...e assim, com um cano encostado ao ventre, colocam em causa a tua própria existência, roubam-te a alienação e te retiram da agonia de mais um dia, apenas mais um dia.

Acordar para a vida.


3 de março de 2008

look what I can do!

Pede-se desculpa a todos os espectadores, mas a telenovela acaba aqui; os intervenientes são exímios nas suas acrobacias e a mamã gosta dos filhinhos todos.

Espera-se que não voltem a haver gracinhas nos tempos próximos e que este espaço possa voltar ao seu funcionamento habitual.

(cortesia da perspicácia - HM)

Aula de cortes

2 de março de 2008

1 de março de 2008

stop crying bitch

...e para todos os haters: "Sejam construtivos nas vossas intervenções. Para que andarem a mandar boquinhas uns aos outros? Será que dá alguma sensação de prazer? É isso? Bem, se assim for lamento, uma vez que se trata de uma clara necessidade de protagonismo. Assim não meus amigos!!!!.........Ehh!!!!!"

28 de fevereiro de 2008





Por motivos de ordem técnica, alguns elementos deste espaço foram descuidadamente retirados.

Assim, pede-se a opinião aos colaboradores e frequentadores do trialversion1.blogspot.com, quanto à possibilidade de manter o layout deste último tal como se encontra actualmente.


Se o anterior modelo de organização do blog for o desejado, tudo se fará para recuperar a informação dos elementos atrás referidos.



Sapadores da versão experimental




27 de fevereiro de 2008

Cancel my subscription to the resurrection

Declaro a morte deste blog.

Não tardará a que se resuma a um repositório dos tempos mortos, apenas mais um entre os milhões de cadáveres de uma rede de informação estática, em autoconsumo, apenas mais um entre os milhares com que me deparo, como que por acaso, revelando no seu irónico sistema de contagem de tempo, um tempo em que realmente viveu, e um progressivo desgaste, até ao fim do seu tempo. Tudo acaba por morrer... mas não deixo de sentir uma certa surpresa, em forma de mágoa, perante algo que durou tão pouco e que, no meu ponto de vista, nunca o chegou a ser; ...caminhava para lá... quando todas as suas intencões se esgotaram, logo numa primeira abordagem, num primeiro “post”, como se tudo o que houvesse para dizer fosse “queremos um espaço que marque pela diferença”, quando essa diferença acabou aí mesmo, nesse quadro de intenções utópicas e um tanto ou quanto arrogantes. Não me espanta. Mas devo confessar que acreditei, por utopia, por desejo de infinito... por arrogância também.
Entre um misto de provocações, infantilidades, agendas culturais, magazines decalcados, desabafos não-ponderados, verborreias, vómitos... lá foi morrendo. “Fode-me youtube”- talvez seja esse mesmo o sentido disto: uma caixa de correio para onde se vai atirando vídeos de gatinhos a fazerem coisas engraçadas; apresentações em power point que é necessário enviar a todos os amigos porque senão a avó passa mal; datas de eventos culturais; e toda uma infernidade de notícias, sites e musiquinhas batidas.
Haverá sempre a óbvia desculpa do “não há tempo”, que “agora estou a trabalhar na tese”, ou “estou a trabalhar”, ou “tenho ginásio a essa hora”, ou “uma merda qualquer”. Sim, este blog transformou-se verdadeiramente numa merda qualquer.
No entanto, parece incrível como algo feito do trabalho conjunto de quatro pessoas não tenha, PELO MENOS, um post por dia... isso implicaria a cada um fazer uma média de UM POST POR SEMANA!, ...mas isso custa muito! - “deixa-me lá escrever uma merda qualquer..., ou então mando um vídeo do youtube e nem tenho de me chatear mais com o assunto...”
Talvez seja por isto não ter um sistema de “avaliação”. Discutia-se, há uns dias, a importância das "notas" na faculdade... acho que é esta – quando não há notas as pessoas começam a cagar, progressivamente, até ao dia em que se esquecem daquilo com que se tinham comprometido - “Isto não é importante”, “isto é um repositório de merda”. Porque não o fazemos (blog/vida) à imagem da nossa arrogância inicial? ...porque, na realidade, NÃO SOMOS CAPAZES!

Toda esta introdução serve apenas para dizer que, como todas as coisas insignificantes da vida, este mísero blog é apenas mais um pequeno simulacro da vida real. As pessoas não cumprem compromissos, preferem, parafraseando um sarcástico (que no meu ponto de vista deveria ser mais directo), “masturbar-se a foder”. Porque “foder” implica sujar mais do que apenas uma mão.
Gostaria também de acrescentar que EU PRÓPRIO me revejo em tudo o que acabei de dizer. E não gosto. Não gosto que a humanidade viva para o seu umbigo, e não gosto que a sociedade nos obrigue a fazê-lo em ordem a sobreviver. Quem for escuteiro, é completamente espezinhado, e sofre; quem for rufia, baterá em tudo e em todos, apenas com o objectivo que ninguém se aperceba da sua fraqueza, e sofre, mais tarde ou mais cedo, porque é fraco; e há os dissimulados.
Os dissimulados são os piores mas, nos dias de hoje, o mundo é deles. Com todas as câmaras de vigilância, nicknames e escravidão da moda, qualquer um pode ser um dissimulado. Qualquer um pode criar uma imagem para si, e servir-se dela, mentindo aos outros, ao mundo e a si próprio. Um dissimulado é um mentiroso. Um dissimulado apresenta um trabalho sobre arte sem a sentir, e age como o pior crápula, como um actor superficial, aparentando sentir aquilo que deveras não sente e desconhece por completo. Um dissimulado diz aquilo que pensa ou sabe que o outro quer ouvir. Um dissimulado é um sedutor.
Depois há os azedos. Penso que a melhor definição para nós os quatro é sermos uns azedos que de vez em quando, e porque percebem que se não o fizerem acabam por sofrer, agem com uma certa “dissimulação”.
Quanto a vocês não sei como se saem, mas eu confesso que não consigo encarnar personagens sedutoras. No teatro sempre gostei de fazer personagens que gritavam muito, que eram más, loucas ou doentias, talvez como forma de extravasão... sentia-me bem podendo fazer tudo aquilo que me retraio por fazer, numa personagem que realmente o pudesse fazer. Mas nunca conseguiria fazer uma personagem dócil, sedutora, que lê os olhos de alguém e consegue, por palavras, manipulá-la... o meu discurso até poderia começar assim, mas rapidamente se atabalhoaria num atropelamento do mundo. A comunicação assusta-me porque me faz querer perceber o mundo inteiro de uma única assentada, e não sou capaz. Mas a sociedade está montada, e isso é apenas um defeito insuportável.
O que se quer são dissimulados. O que se quer são ALFAS.

Sinto, acima de tudo, uma enorme desilusão perante a indisponibilidade do mundo para se resolver a si próprio. É tão fácil perceber a solução dos enigmas quando nos ancontramos sós, sem nenhum elemento de carácter aleatório que lhe condicione a expressão, que nos parece, nessas alturas, que bastaria um momento de pensamento uníssono para resolver todos os problemas do mundo. Mas isso não existe. O que existe é uma sociedade de informação exacerbada, é cada cabeça a pensar para o seu lado, fazendo aquilo que lhe faz mais sentido, mas em completo autismo perante a “sociedade exterior” a cada qual. Porque todos somos autistas numa “sociedade normal”.
Precisamos, todos, enquanto POVO PORTUGUÊS, de um BOTELHON na Praça do Comércio, como diria um amigo meu, precisamos de um momento de liberdade e de extravasão EM GRUPO, numa multidão FORA DA SOCIEDADE INSTITUÍDA.
Precisamos de liberdade. Precisamos do 25 de Abril que nunca chegou a acontecer. Precisamos da revolução dos estados de consciência, pela música, pela dança, pela orgia.

Sinto-me numa prisão desde o dia em que nasci. Viajar fisicamente ilude-me, mas não chega, porque esses percursos apenas me mostram a repetição dos mesmos modelos, das mesmas atitudes, das mesmas pessoas... se eu morresse nenhum mal viria ao mundo, porque a minha singularidade pessoal existe num número insondável de clones que não me pertencem.
Resta-me apenas defecar para tudo, fazer justiça ao poço de fezes para onde vim à LUZ, defecando, fazendo aquilo para que fui criado, defecando mais um pouco, fazendo crescer infimamente o nível dos centímetros cúbicos de trampa desta gigantesca fossa. Quando o tiver feito, poderei dizer que não vivi em vão. Sou um defecador, tal como vocês, e nasci para isto, sozinho, isolado por completo numa poça de excrementos em putrefacção, chapinhando com os pés nessas lamas viscerais que, respingando para as pernas e envolvendo-se, colam-se nos pêlos, cabelos, dançando uno, cantando um solo, até ao dia em que cair e, lentamente, nesse processo mórbido de afundamento, ouvir a música do silêncio que é o sangue a percorrer as veias, o bater do coração, e o “flop-flop” de excrementos a entupir os ouvidos.

Por agora vou dormir na superfície do lodaçal.
*

26 de fevereiro de 2008




Pozar




Exposição de Vladimir Velickovic
Galeria António Prates
29.02.08 - 29.03.08