1 de junho de 2008

ceifeiros cósmicos

O Deserto era vasto e eu carreguei-te ao longo da sua penúltima maior extensão. Havíamos percorrido direcções opostas, caminhado dimensões subjectivas antes de nos cruzarmos... estavas cansada e eu também, mas carreguei-te, sem hesitar, às cavalitas pelas dunas brancas, afundando-me com o peso da tua pessoa, afundando-me na areia que o teu corpo recusava tocar. Um sentido, eu e tu, ou chegaríamos os dois, ou não chegaria nenhum.
Mas quando as pernas fraquejaram, quando julguei não o conseguir mais, desceste, do alto daquilo que te fora oferecido, e caminhaste – “adeus”. Ali fiquei, vendo-te renascida, restabelecida como se acordada pela manhã, caminhando sem olhar para trás, uma parasita procurando um novo hospedeiro.

A noite desceu também sobre o deserto, iluminada pelos astros, envolvente na macieza gelada das areias de um branco azul, contrastando com o dia, durando dias, nestas coordenadas onde vicissitudes se envolvem num fuso horário estranho.

Aqui, materializam-se criaturas nocturnas de uma base luminosa de fundo celeste, descem verticalmente em finas linhas de luz, tocando o limite e explodindo do fundo desse manto, projectando areias diluídas em pó de estrelas - são ceifeiros cósmicos, necrófagos dos sonhos destruídos, digerindo-os com flashes luminosos, deslizando por sobre os areais em busca de mais.
Um deles aproxima-se. Tenho um medo que cedo se dissipa, porque a criatura parece apontar numa direcção, como que me expulsando do festim nocturno e dizendo:
“Por ali. O caminho faz-se caminhando, e estás aqui a mais; caso encontres alguém, ensina-a antes a caminhar.”

.

22 de maio de 2008

Inhiana Jónes e o cogumelo atómico

Título pretendido por George Lucas aquando da finalização do primeiro script: "Indiana Jones and the Saucer-men from Mars" - impecável.

6 de maio de 2008


A fome era tanta...







violador

foca
sexo masculino
jovem e inexperiente
peso - 100kg


vítima

pinguim
sexo desconhecido
idade desconhecida
peso - 15kg


28 de abril de 2008

poesia

(co-post com RG)

21 de abril de 2008

cancro artrópode

«Arranquei um piolho fémea dos cabelos da Humanidade. Viram-me ir para a cama com ele durante três noites consecutivas e, ao fim de alguns dias, milhares de monstros, formigando num só compacto de matéria, vieram à luz» Conde de Lautréamont, Os Cantos de Maldoror

- “Luzes vermelhas, peles, carne viva, cabelos, brilho, tudo negro, tudo alienígena – eu não sou deste lugar. E ando, e olho, e vejo-me na expressão dos outros, aquele que não sou eu, aquele que me surpreende por entre os espelhos, apenas mais um, em completa mistura com as gentes, em corpo, e tão distante nas fontes, para tão fora projecta o hipotálamo, as supra-renais, para tão longe a sua mente se-lhe escapa... E tão perto das gentes.
Que gentes são estas periclitando na amálgama de carne(?) em exposição, crua, fria ao toque, que gentes são estas? Estas gentes que fingem dançar um som deveras horroroso, que, com esforço, procura aproximar-se do incomensuravelmente mais belo ruído dos doces dispositivos termonucleares em ignição, da beleza interior desse terno grito de uma criança trespassada pelas lagartas de um tanque no Iraque... mas sem sucesso. Um som deveras horroroso que eles fingem dançar. E abanam-se. E saltitam sem ritmo. Uma amálgama fora de ritmo, pavoneando-se, olhando por cima do ombro da presumível cara-metade na esperança de um encontro libidinoso de olhares com um estranho... tudo resumido a não mais do que sexo, mecânico, robótico, desfazado de sentido, desprovido de valor, arrítmico com o som horroroso das larvas a despertarem dos casulos instalados na genitália destas gentes...”
E foge. E perguntam-lhe porquê. E não sabe responder. E engana-se nas portas, e esbarra em seios, e leva encontrões musculados, e suores, e vómitos!... e a saída.
E avança, a hedionda criatura, pela noite, desafiada, com chuva, encharcada, doente, atravessa os caminhos onde, antigamente, floriam malmequeres azuis. E quão mal lhe queria a chuva que, com cada safanão, lhe roubava dos olhos a água que derramava no chão.
“Que apareçam por entre as sombras que me atemorizam!, envia, criador, mais anjos para me matar!, não tenho medo, eu que avanço por entre as águas com que me encharcas e confundes o olhar! Atira-os contra mim, eu que não me pretendo matar!, lança toda a tua raiva para quem não esperavas voltar!” – o frio gélido espicaça-lhe as espinhas, o focinho desfaz-se-lhe por entre àguas verticais, e os pêlos já não o são... já não escuta, apenas o ímpeto, apenas o instinto da única atitude sensata de uma criatura louca no mundo da carne artrópode...
...assim decide morrer o monstro, como último Homem, por amor.

(mix de Nosferatu_murnau/herzog + Metastasis_xenakis)

1 de abril de 2008

manifesto anti-"presumível orientador"

(co-post com HM, MV e AN)

14 de março de 2008

métró-pólis

"...the horror!... the horror!!"

5 de março de 2008

som da opressão




...e assim, com um cano encostado ao ventre, colocam em causa a tua própria existência, roubam-te a alienação e te retiram da agonia de mais um dia, apenas mais um dia.

Acordar para a vida.


3 de março de 2008

look what I can do!

Pede-se desculpa a todos os espectadores, mas a telenovela acaba aqui; os intervenientes são exímios nas suas acrobacias e a mamã gosta dos filhinhos todos.

Espera-se que não voltem a haver gracinhas nos tempos próximos e que este espaço possa voltar ao seu funcionamento habitual.

(cortesia da perspicácia - HM)

Aula de cortes

2 de março de 2008

1 de março de 2008

stop crying bitch

...e para todos os haters: "Sejam construtivos nas vossas intervenções. Para que andarem a mandar boquinhas uns aos outros? Será que dá alguma sensação de prazer? É isso? Bem, se assim for lamento, uma vez que se trata de uma clara necessidade de protagonismo. Assim não meus amigos!!!!.........Ehh!!!!!"