2 de outubro de 2008
1 de outubro de 2008
a resposta
Estamos no mais remoto asteróide em todo o Universo e, mesmo assim...

28 de setembro de 2008
vê-las rir, vê-las mentir
Take me out tonight.
Where there's music and there's people who are young and alive.
Driving in your car...
...I never never want to go home because I haven't got one anymore.
Take me out tonight.
Because I want to see people and I want to see lights!
(I want to see them laugh, I want to see them lie...)
Driving in your car...
...oh please don't drop me home!
...because it's not my home, it's their home, and I'm welcome no more.
And if a double-decker bus crashes into us...
...to die by your side - such a heavenly way to die!
And if a ten ton truck kills the both of us...
...to die by your side - the pleasure, the privilege is mine...
(The Smiths - there's a light that never goes out)
15 de setembro de 2008
este universo claustrofóbico...
...para um outro tempo em que largos cargueiros espaciais cruzam o oceano cósmico, estabelecendo rotas comerciais com entrepostos terrestres e asteróides onde colónias humanas extraem minério e outros recursos… nada de especial, ao fim e ao cabo, o que sempre fizeram, embora em escalas menores… Algures, num qualquer planeta desértico, uma equipa de filmagens roda o último western da era espacial... dizem que é o melhor alguma vez feito, porventura melhor que os clássicos da primeira era pós-fordiana, “The Death of the West”…
Apesar de todo o espalhafato, porém, de todos os planetas explorados pelo universo fora nenhum é habitado por criaturas estranhas, nada daquilo que a ficção profetizava, mas apenas mais humanos.
Ainda me recordo do Tempo em que, pela “rede inter-consciências”, foi transmitida a aterragem da primeira sonda num planeta semelhante à Terra. Era igual. ...terceiro a contar da Estrela única, cinco continentes, água em abundância, guerras, homens e mulheres e afins… um reflexo daquilo que já tínhamos.
O Universo está infestado de humanos e as realidades alternativas estão algures por aí, sem nenhuma porta, sem nenhum portal ou wormhole de atravessamento instantâneo, mas apenas a uns meros anos-luz de distância, sistemas iguaizinhos aos nossos, com humanos, em todas as direcções do universo conhecido e mais além, todos no mesmo grau civilizacional que nós, alguns mais atrasados, enfim, mas tudo igual... nuns lêem da esquerda para a direita, noutros da direita para a esquerda… há até uns em que andam de trás para a frente mas, como é lógico, estas possibilidades elementares são apenas exemplos medíocres das muito mais bizarras situações que por aí fora se fazem sentir!, contudo… é deprimente não haver realmente aquela diferença que se procurava nas primeiras eras da história conhecida. É frustrante que tudo seja tão semelhante, que nessa distância de anos-luz de viagens inter-estelares até aos limites do conhecido, apenas se encontre... «Casa».
Nesta era amorfa e entediante apenas me resta sentar-me na beira da varanda da nave e olhar para o limite. É já ali ao fundo, não fica assim tão longe...
Às vezes ainda lhe toco, talvez apenas para sentir uma qualquer substância que lhe esteja por detrás, mas nada, porque tudo acaba ali.
20 de julho de 2008
that's no way to say goodbye
(sound - L. Cohen / images - B. Viola "an ocean without a shore")
Ali, no meio de uma multidão de velhos francófonos dançando um som sobrecarregado de artifícios diversos, solos de guitarra descontextualizados como que atribuindo uma dimensão pink-floydiana a um contador de histórias de amor queimado por anos e anos de charutos e whiskey, alguns se deixaram levar por dois ou três momentos em que os músicos barrocos foram à casa-de-banho e o velho pôde, finalmente, fazer o que ainda sabia fazer tão bem… too-dumb-dumb-dumb-ta-too-dumb-dumb-dee como resposta para todos os enigmas da religião e da filosofia de noites e noites em que passou sem dormir.
E dessa distância profetizava a ausência de cura para o amor, enquanto os músicos e os espectadores dançavam uma outra coisa qualquer, como se fossem autistas ou… talvez apenas sãos, porque o velho era o velho, de gabardina azul, com a pistola na algibeira que alguns viam e choravam, especados de pé, sem qualquer nuance de movimento, enquanto as velhas se roçavam nos filhos que tinham para ali sido arrastados.
Não houve The Partisan, não houve The Famous Blue Raincoat… mas houve meia dúzia de momentos envoltos num recheio de Tony Carreira… coisa menor, porque toda a multidão era apenas chuva onde meia dúzia de vultos sobressaíam.
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8 de julho de 2008
4 de julho de 2008
23 de junho de 2008
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Aí, na total escuridão do quarto, abriu o roupeiro grande e passou os dedos por texturas de tecidos dependurados... cada uma, na sua ora àspera ora macia singularidade, carregava memórias do fundo... e cheiros.
"Este foi contigo a passear, com este gostavas de me ver e com este te beijei", mas é uma particular que lhe chama a atenção e, enrolando-lhe as mangas em torno do pescoço, encostando o carapuço no ombro, desliza pelo soalho da divisão escura, avançando pelas trevas numa dança com um corpo que já lá não está.
...também o cheiro já lá não está.
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19 de junho de 2008
above and beyond architecture
Numa dessas manhãs inconsequentes acordei num telhado, sobre Lisboa, e aí chorei perante a magnitude da alvorada.
Que a instabilidade dessas acrobacias me sossegue o infatigável torpor da segurança térrea! E, lá do alto, estrelas cadentes rosa sobre o azul iluminado da manhã...
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1 de junho de 2008
ceifeiros cósmicos
Mas quando as pernas fraquejaram, quando julguei não o conseguir mais, desceste, do alto daquilo que te fora oferecido, e caminhaste – “adeus”. Ali fiquei, vendo-te renascida, restabelecida como se acordada pela manhã, caminhando sem olhar para trás, uma parasita procurando um novo hospedeiro.
A noite desceu também sobre o deserto, iluminada pelos astros, envolvente na macieza gelada das areias de um branco azul, contrastando com o dia, durando dias, nestas coordenadas onde vicissitudes se envolvem num fuso horário estranho.
Um deles aproxima-se. Tenho um medo que cedo se dissipa, porque a criatura parece apontar numa direcção, como que me expulsando do festim nocturno e dizendo: “Por ali. O caminho faz-se caminhando, e estás aqui a mais; caso encontres alguém, ensina-a antes a caminhar.”
22 de maio de 2008
Inhiana Jónes e o cogumelo atómico
