3 de setembro de 2009

ouroboros

(Laurie Anderson - Superman)

When Love is gone... there's only Justice...
And when Justice is gone... there's only Force...
And when Force is gone... there's only Love.

30 de agosto de 2009

Voo do Pintaralho

O toque aveludado das notas fluía na densa atmosfera, penetrando na sua invisível teia abafada, apesar das largas janelas esvaídas para a rua. Era-lhe difícil respirar e a cabeça doía-lhe. O peito implodia num sufoco progressivo que as teclas acariciadas pareciam não conseguir corresponder… uma ingratidão muda para com esse gesto primário de ternura que as fazia viver.
“Não! Não é isto que o meu corpo quer ouvir!” gritou interiormente, ouvindo-se, porém, tão claramente quanto as melodias que já não tinha a certeza de serem reais e, rebolando as têmporas por entre o abraço apertado da escuridão, deixou-se enterrar vertiginosamente para trás, com o piso fugindo-lhe dos pés na inspiração de mais um som vazio, com a nuca embatendo nessas molesas e a consciência afogando-se nesse arrepio.


"Mas… que crescendos tão doces, que toque tão suave, que segurança tão atemporal! Ah!", quão impossível lhe parecera esse estático orgasmo vegetal, mas quão pacífico na descida quanto a queda para outras alturas.
Um corpo aproxima-se-lhe dos parapeitos e a sua visão atira-se-lhe para fora dos aposentos onde as teclas batiam…. As vestes envolvem-se-lhe nos braços, percorrendo-lhe a pele descuidada, mas não sente comichão. Ali os ares escorregam mais depressa que os sentidos lhe permitiam discernir, e a música, apesar de espacialmente confinada ao mundo que deixara, eleva-se-lhe no espírito como se cada célula lhe fora um ouvido, pulsando notas invisíveis, qual som no vácuo.
“Adeus homem-galinha que todas as noites te empoleiras no beirado… o meu voo faz-se sem asas e o teu peso de Homem não te permite voar” – gritou, em direcção à estranha lua que várias voltas dava no espectro de uma noite só…


“Cóoo… coroc…” – o burgesso animal rebolou sobre o papo e estatelou-se na calçada, esborrachando o pacote de pipocas temperadas com um molho diferente – “Amanhã visitar-te-ei de novo, assim que me consiga lavar… é que nós, os homens, gostamos tanto de banho quanto uma galinha de ovos, e essas águas apenas vertemos para não mais nos preocupar. É essa a nossa generosidade”.
“Está calado e cala-te gordo animal! Não te assaria no forno nem que foras depenado! Nestas alturas apanharei andorinhas e jamais comerei galinhas, nem em canjas, nem em migas!"


Sobre a visão do arregalado olho lunar, o pintaralho esvai-se em molhos vários, esborrachado no chão, afastando-se na subida dos lençois enrolados em ventos, dançando sós nessas alturas inóspitas em que ousara voar.

4 de agosto de 2009

Twitter...

"O Twitter não é mais do que a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até ao grunhido."

José Saramago

16 de julho de 2009

outra vez o tempo

O tempo demora imenso a passar mas, depois de ter passado, muitas vezes é como se simplesmente nunca tivesse existido.
É banal falar-se na relatividade temporal, mas então que falar desses tempos longínquos da nossa infância que convivem em lugares especiais, tão especiais como esse tempo da semana passada em que (...) ou antes do pré-"mês-de-março", tão inesquecível em quantidade quanto de esquecível teve o mês seguinte...
São estes "tempos" que vivem na minha memória que considero atemporais, fora do tempo, mas, apesar de toda essa presença pujante, não consigo vivê-los novamente.
E... para quê? ..se lhes guardo saudade será apenas e só pela dor de os ter perdido, mas não quero vivê-los outra vez, gostaria antes que tivessem continuidade. Desgraço-me perante os tempos descontinuados, os projectos inacabados... desenganem-se aqueles que dizem que "um projecto inacabado é uma lição para um projecto que há-de vir", porque a realidade é bem mais crua. A realidade é que não existe qualquer glória nessa "aprendizagem pela dor".
A "aprendizagem pela dor" serve apenas para que aprendamos a DESLIGAR, para que aprendamos a ser INDIFERENTES, e para que aprendamos a "viver a vida", como tantos dizem, quando esse "viver a vida" não é mais do que fazer o que nos der na gana sem pensar nas consequências, viver para o presente, para o nosso próprio umbigo... nomearei isto de "umbigo do presente", ou seja... cotão.
A "saudade sem morte" é a coisa mais estúpida que pode existir porque sem morte a saudade não tem razão para existir. O presente tem esse nome porque cada dia é uma oferta para que se possa acabar os projectos adiados, essas descontinuidades a partir das quais construímos essa "saudade idiota", quando afinal todos os dias nos são dados para que ela não tenha razão de existir!... a INDIFERENÇA, esse "aprender pela dor", esse cotão da existência... tem os dias contados porque em vez de sermos vencidos, insistiremos, até às últimas consequências, até ao único momento em que fará sentido sentir saudade, até à morte.
Convencemo-nos de que aquilo que não nos mata torna-nos mais fortes, quando, afinal, nos deixámos matar por dentro, sim!, ficámos realmente mortos pela indiferença, pelo "isso já não me afecta"! Remexamos nas feridas, abramos as crostas para que rebentamos em sangue e para que doa, para que a dor seja insuportável e não haja mais nada a fazer do que... AGIR! Chega de fugir, chega de "fugir para viver mais um dia", vamos acabar os projectos adiados, aqueles de que outros decidiram fugir por serem fracos, vamos tomá-los por nossos e não ser atraídos pela vaga de cotão mundial!, abramos as feridas, jorremos em sangue, mas fá-lo-emos juntos!

13 de julho de 2009

escrever, escrever...

...o impulso de o fazer, neste instante, é tão somente por uma razão prima, ou mesmo gémea, da acção contrária que, durante meses a fio, foi gravando o silêncio, em tons de brilho digital, que encancere o cérebro, por dentro, como o cansaço tépido de uma noitada embrutecedora em frente a um qualquer ecran.
Mas aqui estou, agora, não como em tempos, mas AGORA, por mais inútil que seja essa vencida afirmação de Presente, aqui estou, por mais inútil que seja a escrita, por mais irrelevante que EU seja... existir para o nada, existir para a Web.
È sem nada para dizer que me convenço desse suposto ideal do "desejo de ser inútil" quando, afinal, antes de ser já o era, e estas "masturbações dedálicas" mais não são que a expressão enfadonha d'um desejo de utilidade.
Quero ser útil. Mas... de uma forma que não me dê muito trabalho.

Acho que é apenas isso que tenho a dizer a uma Internet que já sabe tudo. ...mais um balde de merda (o seu manjar).

23 de maio de 2009

hieróglifos quebrados de estrelas

(Joni Mitchell - Woodstock)

"Não tenho medo de um exército de leões liderados por um carneiro, mas de um exército de carneiros liderados por um leão."

Alexandre Magno

26 de março de 2009

5 de fevereiro de 2009

Google is watching you!



« Depois do Google Earth ir ao fundo dos oceanos, chega agora a vez do Google Latitude localizar geograficamente os nossos contactos através do telemóvel (...) O objectivo é poder localizar as pessoas onde quer que estejam e localizá-las no Google Maps (...) A partir daí, pode dar-se indicações à pessoa localizada, seguir os seus passos ou, simplesmente, convidá-la para almoçar (...) há sempre o risco de a privacidade poder estar em causa... a este respeito, a empresa norte-americana reconhece “o carácter sensível” do novo serviço mas insiste nas garantias de segurança que os utilizadores vão ter. “Tudo no Google Latitude é opcional. Podem não só controlar quem vê a vossa localização, mas também decidir em que sítio vos vão localizar”, ou ainda “podem escolher não serem vistos”, disse a Google (...) Disponível em 27 países, entres os quais Portugal, o serviço deverá ser estendido progressivamente a outras regiões do planeta. Apesar de ter sido destinado essencialmente para os telemóveis, o Latitude pode igualmente ser usado através de um computador. Segundo a CBS, o Latitude usa o sistema GPS e triangulação por torres de comunicações móveis. O software procura as três torres mais próximas e, com o GPS, combina os dados para mostrar onde determinada pessoa está. »

04.02.2009 - 15h23 Rafael Pereira in Público Online

13 de dezembro de 2008

5 de novembro de 2008

PETRODOLAR ou a Queda do Dolar Americano

Recebi isto há pouco tempo no mail e vou partilhar, apesar de o indivíduo ter dito para não dizer a ninguém, "aiai a conspiração" e não sei o quê... mas já que estamos numa de holocausto nuclear, cá vai:


"As pessoas não compreendem a verdadeira razão que levou à guerra do Iraque e a razão que levou à ameaça de guerra pelos EUA ao Irão - NÃO SÃO ARMAS NUCLEARES, NÃO É O TERRORISMO E NÃO É POR CAUSA DO PETRÓLEO - a razão tem a ver com a manutenção do maior "esquema" da história moderna, o esquema do "Petrodolar Americano".

Em 1971 os EUA imprimiam e gastavam muito mais dinheiro do que aquele que podia ser coberto pelo ouro que possuíam ou produziam. A França, uns anos mais tarde, exigiu a redenção dos dolares que tinha acumulados em stock nos EUA, em troca de Ouro, mas os EUA rejeitaram a exigência, já que de facto não tinham ouro suficiente para cobrir os dolares que tinham imprimido e usado para pagar bens por todo o mundo, cometendo desta maneira um acto de bancarrota. Assim, os EUA foram ter com os sauditas e fizeram um acordo: a OPEP (organização dos Países Exportadores de Petróleo) passaria a fazer todas as vendas de petróleo em dolares americanos.
A partir desse momento, qualquer nação que desejasse comprar petróleo, teria primeiro de ter em sua posse dolares americanos. Isso queria dizer que essas nações tinham de pagar aos EUA com bens e serviços, em troca de dolares que os EUA se limitavam a imprimir.
Os americanos mantinham assim "artificialmente" o valor comercial do dolar e compravam o petroleo literalmente de graça ao imprimir dolares. O perfeito "almoço grátis" para os EUA à custa do resto do Mundo!
No entanto o "esquema" começou a ser exposto, quando Saddam Hussein começou a vender o petróleo do Iraque directamente por Euros, anulando o acordo confortável que os EUA tinham com a OPEP. Sendo assim, Saddam tinha de ser detido...

COMO?

Os EUA conzinharam um pretexto para defender a Guerra (o drama das torres gémeas...), invadiram o Iraque e... qual foi a primeira coisa que fizeram? REVERTER A MOEDA DE VENDA DE PETRÓLEO PARA DOLARES AMERICANOS NOVAMENTE - a crise monetária estava, temporariamente, resolvida.

Mas Hugo Chavéz, presidente da Venezuela, começou também a vender petróleo venezuelano por outras moedas além do dolar e, por issso, houveram vários atentados contra a sua vida e tentativas de "mudança de regime" cujos rastos levam a quem... CIA!!
Para ajudar ao barulho entra Ahmedinejad, presidente do Irão que, ao assistir a isto, decidiu fazer ainda mais: vender o petróleo por QUALQUER moeda EXCEPTO dolares americanos!

O jogo do petróleo americano está a chegar ao fim. à medida que as nações do mundo começarem a perceber que podem comprar petróleo em troca de outras ou das suas próprias moedas, em vez de terem de usar dolares americanos, mais nações da OPEP irão abandonar o dolar. Assim, eventualmente, os americanos, mais cedo ou mais tarde, terão de ter de vir a comprar o seu petróleo em EUROS ou RUBLOS em vez de imprimirem simplesmente o dinheiro para o obter: isso será o FIM do império americano, o fim dos fundos para o exército americano e a destruição da economia americana.

O "grande esquema" está a chegar ao fim e não há muito que os americanos possam fazer acerca disso... excepto talvez.... UMA NOVA GUERRA MUNDIAL.

...esperem e observem."

Gosto sempre muito destas coisas do fim do mundo assim, já que não posso viver para sempre, posso ser testemunha do fim e, desse modo, poder ter controle sobre todo o conhecimento até agora gerado: foi aqui que chegámos! Yupi!
Extrapolando estas considerações para o dia de hoje... hmm... bem, é verdade que já vi esse cenário no 24, e o presidente "afro-americano" acabou por ser salvo pelo Jack Bauer mas... será que o Obama se vai safar?! Isto soa-me a deja vu... ainda me lmbro bem do Al Gore... hmmm... será que o Obama vai acabar como ambientalista? Isso seria na melhor das hipóteses... porque cá para mim, e face a esta sensação porreira da "conspiração" que se apodera de mim, acho que ele será o próximo Martin Luther King, as próximas Torres Gémeas, o próximo pretexto para gerar Guerra com quem? - Irão, India, China e Paquistão...?

..vou voltar mas é para a minha alienação, o conhecimento nunca fez nada de bom por ninguém.

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4 de novembro de 2008